Paixão Corinthiana: lançamento no Bar do Elídio, dia 30 de abril

O jornalista Vitor Guedes lança o livro Paixão Corinthiana, agora no bairro da Mooca. A obra traz cem crônicas que contam a história de um dos clubes de futebol mais queridos do planeta, mostrando que o amor pelo Corinthians é um amor à moda antiga: não há a possibilidade de esfriamento ou divórcio.

Com textos leves e bem-humorados, os personagens e as histórias do livro revelam a alma corinthiana (com “th” mesmo, questão de preferência do autor, que coincide com a da maioria da Fiel) como só um dos 30 milhões de seus torcedores poderia fazer.

Além da coluna Caneladas do Vitão, no jornal Agora São Paulo, Vitor Guedes e também é responsável pelo BandNews Pra Toda Obra, coluna que acompanha a construção do estádio do Corinthians. A orelha do livro é escrita pelo ex-jogador Basílio, e o prefácio é da jornalista Marília Ruiz.

Lançamento de Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes
Bar do Elídio
Rua Isabel Dias, 57 – Mooca
Terça-feira, 30 de abril, 19h

Confira imagens do lançamento de Paixão Corinthiana

O lançamento do livro Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes, realizado ontem no Artilheiros Bar, contou com a presença do ex-jogador Basílio e também do técnico do Corinthians, Tite. Confira matéria feita pelo Terceiro Tempo aqui e a galeria de imagens produzidas pelo site aqui.

É HOJE: Lançamento de Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes, no Artilheiros Bar

Paixão Corinthiana traz cem crônicas nas quais o jornalista Vitor Guedes conta a história de um dos clubes de futebol mais queridos do planeta, mostrando que o amor pelo Corinthians é um amor à moda antiga: não há a possibilidade de esfriamento ou divórcio. Com textos leves e bem-humorados, os personagens e as histórias do livro revelam a alma corinthiana (com “th” mesmo, questão de preferência do autor, que coincide com a da maioria da Fiel) como só um dos 30 milhões de seus torcedores poderia fazer.

Os textos tratam de diversos aspectos da trajetória do clube, contando a história de lances como o gol de Basílio na final do campeonato paulista de 1977, lembrando ídolos eternos da Fiel e títulos inesquecíveis. Mas o personagem central é o torcedor, que aparece em episódios históricos como a invasão da torcida no Maracanã, nas semifinais do Brasileiro de 1976, e em cenas curiosas como a de uma paquera no metrô ou no elevador. É o corinthiano retratado na melhor prosa, e também em verso.

Vitor Guedes assina diariamente a coluna Caneladas do Vitão, no jornal Agora São Paulo, e também é responsável pelo BandNews Pra Toda Obra, coluna que acompanha a construção do estádio do Corinthians. A orelha do livro é escrita pelo ex-jogador Basílio, e o prefácio é da jornalista Marília Ruiz. Leia abaixo uma das crônicas da obra:

É o que é e o que não é, mano

Corinthians é do Antônio, do Toninho, do Tonhão. Que não têm um vintém. É do Ermírio de Moraes também. É do Silvio. Santos, é de todos eles. E dos pais deles. É do Paulo Evaristo Arns. Graças a Deus, é de Ogum também. Salve, Jorge! Fé, mé, metaleiro axé. Tatu voa, gavião anda a pé. O roqueiro, cabeludo bamba, cai no samba, castiga o tamborim e amaldiçoa o jurado que tirou preciosos décimos da comissão de frente da Gaviões da Fiel. Paulistana sai de baiana.

O analfabeto lê tudo que é publicado sobre o time do povo. O empresário – enquanto bate um squash no intervalo entre o brunch e o happy hour – exercita as cordas vocais: “Ela, ela, ela, é festa na favela”. Isso que é Paraisópolis! O racional prefere algo menos ensandecido: “Aqui tem um bando de loucos”. O playboy, etiqueta sob medida que vale um aluguel, rodinha esportiva invocada, caranga rebaixada, maria-gasolina oxigenada no carona, abaixa o vidro e explode o som na caixa: “Corinthiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus”.

Por falar novamente Dele, o agnóstico veste a camisa “Deus é fiel”; o cristão, na hora do aperto, não se faz de rogado: “Saravá, São Jorge, que ele vai nos ajudar”; gourmet manda ver no ebó. Não me toques. A educadíssima lady, lábios imaculados, vai à luta e chama o juiz de filho da… O desempregado falta no trabalho para prestigiar a equipe in loco. O insensível sofre, o sofredor torce, o fato distorce. O gol não sai. O médico é paciente. O bêbado joga tudo para o santo. É dose! Mas até o cético acredita. Vem a vitória. Bendita! O dia anoitece, a noite amanhece, o velho rejuvenesce. A patricinha se embriaga com o cheiro do povo. O mudo canta até ficar rouco. Até o próximo jogo.

Perder faz parte? O pacifista, aos berros, avisa: “Se o Corinthians não ganhar, o pau vai quebrar”. O eremita comanda a festa no meio da massa. O abstêmio cobiça a taça. À beira do enfarte, o fiel acredita até o final, mesmo sem saber o que fazer com o coração cansado de sofrer: “Não para, não para, não para”. O ecologista não quer ver verde nem pintado de ouro. O vegetariano anuncia o cardápio: “Vamos comer porco”. O pai mama, o filho briga. O bebum aparta o ziriguidum. “Mais um, mais um”. Mas o jogo está 0 a 0. Não conta. Deve ser a ponta. O relaxado capricha, virtuosismo real. Virtual, impalpável amor incondicional.

Presidente na arquibancada, torcedor no gabinete. Ah, que saudade do Alfinete! Viva a democracia! Sócrates é filosofia. Ideologia de boteco. Carlitos, gênio da arte falada, mesmo que de forma incompreensível. Como a perda de um ente querido. O defunto volta para ficar, do lado do Corinthians é o seu lugar. Ainda vivo, avisou: “Na vitória ou na derrota, até a hora de nossa morte, amém”. Foi além: “Eu nunca vou te abandonar”. O mudo enxerga, o cego escuta, o surdo vê. Todos se abraçam.

Corinthians é tato. Questão de pele. Branca ou preta, tanto faz, alvinegra nação. Miscigenação, rima fácil de Coringão. É o que é, meu irmão mulato: o clube mais brasileiro! Conquistou o mundo sem ir ao estrangeiro.

Lançamento de Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes
Artilheiros Bar
Rua Mourato Coelho, 1194
Segunda-feira, 30 de janeiro, 19h